Que parte negra de mim fica crescente sorrindo cheia enquanto o resto mingua em busca de alguma coisa nova...

26 de dez. de 2007

Roda da vida, ou a vida roda...

Me peguei triste hoje, recebi a noticia de que um amigo querido se foi. Chorei, me culpei por não ter ido visita-lo, por não ter ligado mais vezes, por simplesmente não ter dito: "Gosto de ti pra caramba"... depois me despedi dele ao meu jeito, e mais tarde em conjunto com outros amigos e parentes.
Alguns momentos são divisores nas nossas Águas-vidas. A morte de alguém querido é um deles, perder alguém faz a gente se dar conta de como somos frágeis e efêmeros, e que, apesar de conquistar cada dia mais tecnologias e afins, continuamos sob a tutela das três fiadeiras antigas, as quais, decidirão a hora de cortar o fio das nossas teias-vidas. As vezes sua tesoura pode estar um pouco cega, e vamos aos pouquinhos, outras afiadas, e nos arrancam da terra como uma lufada de vento nos cabelos...
Alguma vez você já parou para observar aquela pequena plantinha que luta para crescer numa pequena fenda no chão de cimento? O trabalho sem descanso das pequenas formigas, as mudaças de cores nas árvores ao longo do ano? Ou as linhas de expressão que vão surgindo no seu próprio rosto a cada dia e que contam a sua história, suas alegrias, suas tristezas... Hoje acrescentei mais uma linha triste ao meu rosto, na verdade, uma linha saudosa...
Por que não podemos ser eternos? Por que tudo tem que acabar um dia? Essas perguntas reverberam nos meus pensamentos, mas seu eco traz algumas respostas, vindas desses mesmos pensamentos: o eterno não muda, é estático, não se adapta...
Somos equilibrio, a vida é feita de luz e sombras, e ambas são necessárias,simbioticamente, para que o novo venha, é preciso existir o vazio, é preciso criar o vácuo... Difícil, na teoria é um pensamento bonito, na prática...
Contudo, olhando em volta, noto que bem perto de mim, duas vidas novinhas em folha estão para chegar... Meu coração fica dividido, um lado bate saudoso, lentamente, saboriando velhas lembranças, o outro bate descompassado, acelerado em ritmo de espera pela nova vida que chega... então sinto dentro de mim a confirmação de que, por mais difícel que seja a despedida, sempre será trazido um novo despertar...as lembranças partilhada com meu amigo estarão lá, guardadas no meu baú de fragmentos que constituem quem sou e que farão o esteio para minha futura relação com aquele que chega.
Podem estar se perguntando o porquê dessas reflexões, eu também, acreditem, mas hoje, resolvi deixar de lado meu pensamento racional e seu ritmo frenético e observar as coisas da natureza com as suas reais cores...
Resolvi apreciar as efemeridades...
(23/12/07)

19 de set. de 2007

Quintanices....

Gosto de observar o mundo lá fora
pela minha janela azulada cor de céu...

As pessoas parecem distantes...
Confinadas em cubos deslizantes de confiança e arrependimento...

O mundo parece continuar girando...
Como se eu não estivesse por ali...

Tenho curiosidade de saber
como são as ruas que não estou andando,
assim como as paisagens que estão as minhas costas...
longe dos meus olhos...

Quem garante que são as mesmas que verei se me virar?
Talvez, se o fizer bem rápido, as samambaias não fujam do lugar!

Eus... 2

Gostaria que essas palavras não escorregassem assim de meus dedos...

Gostaria que este nó perpétuo mudasse de endereço, libertando o coração prisioneiro de amarras auto impostas e de torturas semelhantes a beijos judosos que condenam a virgem alma ao confinamento cruxificativo do eterno recomeço...

Loucura, insanidade talvez...

Quem poderia descrever meu relicário emotivo como uma linha reta e racional...

Mentalmente insana... talvez um dia chegue a tal nível... por enquanto apenas louca fulana...

Eus...

Encantado dom pensante
que escrivinhante segue a luz do dia
Poente criatura dormente
que doente mal diz sua sina

Sina de ser escrivinhantemente pensante
e amaldiçoada pensantemente
a clara luz que alumia...

23 de ago. de 2007

...

Quisera ser mundana
urbana, sacana
Quisera proferir ditos
proscritos, delitos
Quisera derrubar muros
dar murros,
advinhar futuros
Quisera caminhar pelo calcanhar...
Mas apenas pudera engatinhar
Quisera tanto...
Pudera, espanto

Sobre dragões e lagartixas...

Quisera ao céu voar...
Mas grudada as paredes estar

Ver a vida de ângulos nunca antes vistos
Saborear outros lábios...
outros olhos, outras peles...

Mas tudo repele...
A caverna se comprime...
A parede perde a estática

A queda
inivitável...

Terapeutico 2...

Queria ter coragem de flertar...
Mas sempre o orgulho a controlar
Impeço o impulso, sento, sinto...
O principe cansou de salvar...
Quer agora casar

A princesa, por vezes dragão...
Quer tudo devorar
Gostaria de voar, fugir talvez?

Cumprir papéis sempre foi o esperado...
Sorrir, pestanejar e competentemente
assuntos completar...
Triste fim para uma Poliana tão recente...
O pierrot ficou de fora
O arlequin está de greve!
A fênix inflama suas penas
( o fim está próximo...)
O ciclo se reinicia frequente...

Terapeutico...

Em si bemol canto meu dia
Em sol la si caio em si
Sou pequena gigante
a procura de um pé de feijão

Ando entre caras e bocas
Por vezes pequena,
por vezes obesa

Um dia, princesa
Outro, dragão
O que fará meu São Jorge?
Salva meu lado princesa...
Ou mata meu lado dragão...

20 de jul. de 2007

Divagações de uma Ilusionista

O que é realmente real? Aquilo que não é ilusão... bem, até poderia ser definido assim. Sentada na privada, enquanto realizo meu ritual biológico-holístico de trocas de energias, observo uma pequena aranha tecer uma teia delicadamente. Ela trabalha nos mínimos detalhes de uma renda tão fina que chega a ser transparente...
Ainda olhando para o pequeno aracnídeo, me pergunto: Por que tanta perfeição se ninguém irá ver? Se o objetivo é exatamente não aparecer e capturar pela surpresa? Contudo, continuo a admirar o seu trabalho, mesmo sabendo, ou até mesmo por isso, que ele tem um curto prazo de validade, pois, assim como as anteriores, D. aranha irá perder a sua residência - primorosamente enfeitada, diga-se - na próxima faxina.
A filosofia sobre a arquitetura aracnídea continua enquanto penso na organização do meu referencial teórico, o qual está milimetricamente catalogado por assunto, data e autor... um trabalho quase digno de D. aranha, digo quase, porque ainda existem masi algumas opções de organização... é... aqui, também, ninguém, além de mim, mexe... porque o trabalho? Ilusão, meus caros, Ilusão!!
Chego a conclusão de que, solitárias, eu e D. aranha, resolvemos nos apegar as pequenas coisas cotidianas, já que nossas casas/vidas estão organizadas para um habitante. No caso de D. aranha é questão de natureza, já no meu...
Refeita após o meu ritual de trocas, e com um spray aromático em mãos, abandono D. aranha ao seu trabalho solitário e dedico-me a mais divagações... A vida é uma questão do quanto você está aberto à realidade e quanto da sua realidade é uma ilusão, criada para gerar imagens sociais aceitáveis.
A mais bela moça, a "miss", poderia considerar seu kit de maquiagem semelhante em função à cartola do mágico de festas infantis... mero instrumento de ilusão... Por outro lado, o engenheiro olha para o prédio, nascido de seus sonhos, da mesma maneira que o diretor observa a estréia de seu espetáculo... ambos são ilusões... Ilusões, repito, a vida é um conjunto de ilusões. Algumas cruéis, inventadas apenas para justificar fraquezas, outras, mais densas, capazes de se corporificar, as chamadas idéias, sim, quem não conhece a ilusão humana de que pode voar? Santos Dummont, tornou possível o que antes era destinado apenas aqueles que possuíssem asas de cera, ou tivessem a sua disposição pensamentos felizes e um pouco de pó de pirlipimpim...ilusões infantis...
A ilusão é necessária, seja aliada a imaginação e a criatividade,impulsionando... Seja como vilão de um mundo virtual dominado por mentes binárias, um lastro de mentes fracas, cruel, mas presente. Platão acreditava que o homem não conseguiria aguentar o intenso brilho da realidade, sendo relegado ao destino de pobre observador das suas sombras projetadas nas paredes de sua caverna. Essa caverna seria nossa sociedade? Sua alma imortal? ou sua própria genialidade adormecida no escuro das suas próprias entranhas?
Como uma ilusionista, forjada no fogo do tempo e das eras, pergunto-me se D. aranha também se questionou sobre a natureza de suas ilusões... essas divagações nunca terão fim, apenas posso salientar que D. aranha não terá que se mudar...pelo menos dessa vez.

4 de jul. de 2007

Absurdo!!!!

CENA 1 : Uma mulher está sentada em frente do fogão a lenha. Ela atiça o fogo lentamente. Está perdida em seus pensamentos.

VELHA: 1820...Não, não era nascida naquele ano...talvez 1920, é, sim, acho que foi nesse ano que casei...não, não, acho que nasci em 35 ( levant, olha em volta e volta a se sentar desanimadamente) Não, não... Ó, Deus, essa minha cabeça está cada vez pior. Qualquer dia vou acabar esquecendo quem sou...
( entra um senhor, também idoso.)
VELHO: Gostaria de tomar um chá, por favor...
VELHA: Pois não, sirva-se, a água está quente...
VELHO:( sentando-se a poucos passos da chaleira)Gostaria de um chá, por favor...
VELHA: Pois não, sirva-se, a água está quente... ( O velho continua no lugar)
VELHO:O frio está chegando cada vez masi rápido...
VELHA: Acho que o inverno está realmente demorado.
VELHO: Como disse, está chegando ca vez mais rápido...
VELHA: 1820...
VELHO: Perdão?
VELHA: Acho que casei nesse ano...
VELHO: Não, não, eu nasci em 35, 1935.
VELHA: Claro, não poderia ser tão distante...minha cabeça está cada vez pior...
VELHO: Qualquer dia esquece quem é...
VELHA: Quem?
VELHO: Não lembro, Ah! Gostaria de um chá, por favor...
VELHA: Pois não, sirva-se, a água está quente...

CENA 2:
( Os dois velhos continuam seu diálogo, repetindo a cena 1. Entra o carrasco arrastando uma mulher esfarrapada.)
CARRASCO: Não sei por que esses sacos de ossos pesam tanto!
MULHER: Perdão, Meu Deus, ( começa a rezar baixinho a Ave Maria)
CARRASCO: Amém, amém!! Todo dia é essa ladainha... Ave Maria isso, Pai nosso aquilo...Não aguento mais!!! Bendito! Bendito, digo eu, mas bendito machado que faz calar essa ladainha.
VELHO: ( alheio ao que se passa) Gostaria de um chá, por favor...
VELHA: ( Olhando com desdem o par) Pois não, sirva-se, a água está quente...
CARRASCO: ( erguendo a mulher) Levanta!! Anda, morra com dignidade!! Quer chear do outro lado com fama de covarde!?
MULHER: ( Continua a rezar, quase choramingando)
VELHO: 1820...
VELHA: Não, não, nasci em 35,1935.
VELHO: Minha cabeça...
VELHA: Qualquer dia esquece de quem é...
CARRASCO: Olha lá fora! Anda ( força a mulher a olhar) Viu? O frio está chegando cada vez mais rápido.
MULHER:( em forma de reza) Acho que o inverno está demorado...
CARRASCO:( puxando a mulher pelos cabelos) Como disse, está chegando cada vez mais rápido!!
VELHA: Acho que casei nesse ano...
CARRASCO: ( para a mulher, soltando a no chão) Gostaria de um chá, por favor...
MULHER: ( Afastando-se do carrasco) Pois não, sirva-se, a água está quente...
( O carrasco fica parado, a mulher senta onde antes estava sentada a velha que toma o seu lugar de joelhos diante do carrasco. O carrasco peaga a velha pelos cabelos e a arrasta, ela coeça a rezar. O velho olha para a mulher e diz:)
VELHO: 1820...
MULHER: Não, não, nasci em 35, 1935
VELHO: Gostaria de um chá?
MULHER:Não, não acho que casei em 1920...
VELHO: não, não... se continuar assim vai esquecer de quem é...
MULHER:Quem?
VELHO: Não me lembro.
( O carrasco volta arrastando a velha que continua a rezar)
CARRASCO: Ave Maria isso, Pai Nosso aquilo... Bendito, bendito, digo eu, mas bendito machado.
VELHA: ( Olhando para a mulher que permanece alheia) 1820...
MULHER: ( levantando) 1820...
CARRASCO: Perdão?
MULHER: Acho que casei naquele ano...
CARRASCO: Não, não, nasci em 35, 1935.
MULHER: claro, não poderia ser tão distante.
VELHO: Por que esses sacos de ossos pesam tanto?
VELHA: Ó Deus, minha cabeça está cada dia pior...
MULHER: Qualquer dia esqueço de quem sou...
CARRASCO: Gostaria de um chá, por favor...
VELHA: (levantando-se) Pois não, sirva-se, a água está quente...
MULHER: 1820, a água está quente...
CARRASCO: Não, não, 35, 1935, nasci nesse ano, o inverno chegou rápido...
VELHA: Minha cabeça está cada vez pior...
( carrasco senta onde estava o velho. A velha volta a se ajoelhar e o velho arrasta pelos cabelos enqunto ela reza. os dois saem dessa forma.)
CARRASCO: gotaria de um chá, por favor...
MULHER: Pois não, sirva-se, a água está quente...
( a cena 1 vai se repetindo com esses dois personagens enquanto a luz vai caindo em resistencia)

FIM

26 de jun. de 2007

A “comivelzinha”

São onze horas da noite e o único barulho existente é a cantilena monótona do ventilador lento. Observo as paredes do meu quarto, se é que este muquifo pode ser chamado de quarto, mas afinal, o que realmente é um quarto? Olho para as paredes descascadas, posso ver que embaixo da tinta vagabunda branca existe uma parede que já foi verde, o que demonstra que este quarto já teve gosto pior do que o meu... O chão, mais esburacado do que o meu bolso, mais parece ter sido atingido por uma enxurrada de balas de metralhadora. O teto... Meu Deus! Um dia isso ainda cai...
Perdido nos rumos dessa história melodramática, na qual sou o personagem principal, não presto atenção na maçaneta da porta a girar... Contudo, sou despertado pelo insistente latido do meu fiel vira-latas, que dorme embaixo da minha surrada cama de armar. O estranho ser, bizarro, me atrevo a dizer, entra encolhido e reticente. Engraçado...juro que tranquei a porta...maldito porre... devo ter bebido todas novamente...
Ah! A bizarra criatura, bom, ela foi entrando e imediatamente se desculpando. Queria a minha ajuda para encontrar o irmão desaparecido. Imaginem só!! Eu ajudando alguém, ainda mais uma figura tão esquisita quanto aquela...
Ela retirou o capuz do grosso casaco, e não pareceu tão esquisita... Bom, para encurtar o causo, a criatura... quer dizer, é melhor chamar pelo nome, já que por baixo daquele jaquetão cor de burro quando foge e calças masculinas, existia uma mulher, quer dizer... um arremedo de mulher, uma guria que não devia ter mais do que vinte e poucos anos, e que era até bem “comivelzinha”...“Ô velho tarado!!” Isso que vocês estão pensando, não é mesmo? Pois fiquem sabendo que não sou velho!! Quanto ao tarado...bom, essa parte eu não posso refutar.
Alma... esse era o nome da “comivelzinha”. Realmente, o seu rosto pálido, salpicado de sardas e possuidor de olhos castanhos, daquele castanho dos olhos dos cachorros, sabe? Castanhos olhos, e boca pequena, pequena e rosada, sem nenhuma maquiagem e mesmo assim bela...
Alma...alma penada, isso sim!! Muito bonita para ser real. É, isso... muito bonita para ser real. Ela sentou-se a minha frente, no duro e esburacado chão, cruzou as pernas em posição de índio e colocou suas delicadas e brancas mãos sobre o ventre. Contemplei seus olhos tristes e me peguei pensando besteiras, daquele tipo inconfessável para um homem, sabe? Tipo, casamento, filho, fidelidade...CRUZES!!!! Devia estar ficando louco mesmo. Isso sim, confirmava que ela não devia ser desse mundo..
“Me mandaram te procurar...” ela disse que alguém houvera dito o meu nome, filhas da puta!! Só podia ser alguém para quem eu estava devendo até as calças e que resolvera me aplicar essa! O problema é que eu devo para todo mundo, como saber quem foi o sem vergonha!?
Ela continuava ali, na mesma posição, me olhando, ansiosa... o que eu lhe diria? Que não sou um cavaleiro de armadura brilhante em montaria branca?! Que não passo de um bêbado, sem a mínima noção de conceitos morais?! Na verdade, nem sei o que significa a apalavra moral... moral, será que é a mesma das aulas de moral e cívica? Se for tanto pior... sempre rodei nessa matéria...
Ah...devem estar se perguntando a essas alturas “por que, em nome de Deus, essa criatura foge tanto do assunto!?!?!?”, é eu faço isso mesmo, não posso fazer nada, a culpa é da minha mãe, se drogava, sabe? Por isso que eu sou assim, meio retardado... e olha que dizem que essa é a melhor das minhas metades, he, he, risada amarela, né? Deixa pra lá...
Meus pensamentos vagueiam enquanto olho para a “comivelzinha”, olho, mas não vejo realmente, estou perdido no tempo e no espaço, entre a loucura e a realidade... Ela diz coisas que não escuto, fui transportado para outra dimensão, vejo seus lábios rosados se mexerem, mas não entendo o que dizem.
Ela me mostra dinheiro, gesticula sem parar, de repente, para, olha fixamente para mim e desata a chorar, um choro quase infantil, daqueles que irritam, sabe? Acordo do meu estado suspenso e a sacudo pelos ombros, ela, apavorada, me abraça e soluça intermináveis frases de agradecimento. Que parte eu perdi?! Por que ela está me agradecendo? Foi ela quem me abraçou, eu só queria que ela parasse com aquele choro irritante.
Ela começa a desfilar diante dos meus olhos incontáveis fotos de família, por algum motivo ela acredita que eu concordei em ajudar... mas sinceramente... eu não me lembro de ter dito nada a respeito. Admito!! Estou confuso...
A “comivelzinha”... o que? Termos impróprios para se referir... para se referir a uma dama!?!?! Ô, meu amigo, de que planeta tu veio, ô criatura?!?! Certo, certo, A Alma, “ tá melhor assim??” Alma fica alegre, rodopia, e cai sentada ao meu lado. Sinto o seu perfume pela primeira vez e penso: FUDEU!!! Tô ferrado, que cheiro tem a comi.vel...quer dizer, a referida dama...
Juro, ela até poderia ser uma alma penada que veio me atentar, mas que tentação mais tentadora! Tá!!! Eu sei!! Toda tentação é tentadora, ou então não seria tentação... Mas esses registros são meus! A memória é minha, e se tu não gostou do meu estilo literário, vai ..... é, esse lugar mesmo que tu tá pensando!!!
Bom, agora que nos entendemos... Como eu ia dizendo, ANTES da interrupção... Ela cheirava muito bem, era uma mistura de álcool etílico e esparadrapo novo, sabe? Ela parecia ter saído do hospital, frágil, mas de uma maneira sexy. Ela era a mulher perfeita para aquelas confissões horríveis que fiz a pouco. Me perdi nesses pensamentos e nem notei a sua figura esguia deixar meu quarto. Quando percebi, estava só, ou quase, já que minha companhia constante estava lá, foucinho apoiado no meu pé e a pata dianteira coçando a orelha, exatamente como fazia todas as noites.
Não havia nenhum indicio de que ela estivera lá. Será que eu bebera todas de novo? Foi imaginação minha? Será que Alma era real? Ainda pensando nisso, focalizei meus dedos dos pés. Estavam gelados e roxos, acho que senti frio...
Enquanto batia os pés, intercaladamente, para esquentar, vi grudado, na sola da havaiana, uma foto três por quatro. Era de um rapaz, ele devia ter uns dezoito anos, era muito branco e tinha olhos castanhos, castanhos, que nem cachorro, sabe? Atrás da foto estava escrito com uma letra redonda e feminina: “Com amor do teu eterno amante, Almiro”
Eterno amante... Almiro... Alma... que família sem imaginação pra nome de filho!! Deviam ser gêmeos, porque ele era a cara dela, só que de cabelo curto...
Peguei minha toca, meu chinelo havaiana, a foto e meu cachorro, o que mais me esperava lá fora? Da porta, dei uma última olhada no meu canto e pensei:
“ Merda! Um dia essa droga de teto ainda cai!”
FIM

23 de jun. de 2007

idéias soltas

Todo o ser humano gosta de uma boa ilusão, seja no papel de iludido ou de ilusionista, eu à propósito, me identifico com a segunda opção, assim sendo resolvi tratar nessa messiva idéias sobre tal tópico.
A escrita é um exercício de repetição, assim como o estímulo da imaginação, pois aí está o cerne da questão que me proponho a divagar...
Crescida em uma sociedade onde as palavras podem ferir ou curar, especializei-me nas duas artes. Facilmente firo com meu vocabulário, assim como não há esforço em consolar com o meu repertório de palavras corretas. Muitas vezes as palavras são sentidas no âmago, outras porém, não passam de mera formalidade. Cuidadosamente me dirijo ao meu interlocutor, pensando e repensando sobre todas as conseqüências das minhas palavras, caso elas precisem ser duras, mas a pessoa não está preparada, guardo todas elas dentro do meu bem cuidado dicionário...
Vagas, dissonantes, talvez. Mas lembrem-se, eu os avisei desde o inicio, essas são divagações... não ouso, ou pretendo, definir novos paradigmas ou transpor tabus, apenas faço um exercício de escrita e imaginação sobre o que sou, uma aprendiz ilusionista que engatinha nas artes da divagação e da convivência consigo mesma.