CENA 1 : Uma mulher está sentada em frente do fogão a lenha. Ela atiça o fogo lentamente. Está perdida em seus pensamentos.
VELHA: 1820...Não, não era nascida naquele ano...talvez 1920, é, sim, acho que foi nesse ano que casei...não, não, acho que nasci em 35 ( levant, olha em volta e volta a se sentar desanimadamente) Não, não... Ó, Deus, essa minha cabeça está cada vez pior. Qualquer dia vou acabar esquecendo quem sou...
( entra um senhor, também idoso.)
VELHO: Gostaria de tomar um chá, por favor...
VELHA: Pois não, sirva-se, a água está quente...
VELHO:( sentando-se a poucos passos da chaleira)Gostaria de um chá, por favor...
VELHA: Pois não, sirva-se, a água está quente... ( O velho continua no lugar)
VELHO:O frio está chegando cada vez masi rápido...
VELHA: Acho que o inverno está realmente demorado.
VELHO: Como disse, está chegando ca vez mais rápido...
VELHA: 1820...
VELHO: Perdão?
VELHA: Acho que casei nesse ano...
VELHO: Não, não, eu nasci em 35, 1935.
VELHA: Claro, não poderia ser tão distante...minha cabeça está cada vez pior...
VELHO: Qualquer dia esquece quem é...
VELHA: Quem?
VELHO: Não lembro, Ah! Gostaria de um chá, por favor...
VELHA: Pois não, sirva-se, a água está quente...
CENA 2:
( Os dois velhos continuam seu diálogo, repetindo a cena 1. Entra o carrasco arrastando uma mulher esfarrapada.)
CARRASCO: Não sei por que esses sacos de ossos pesam tanto!
MULHER: Perdão, Meu Deus, ( começa a rezar baixinho a Ave Maria)
CARRASCO: Amém, amém!! Todo dia é essa ladainha... Ave Maria isso, Pai nosso aquilo...Não aguento mais!!! Bendito! Bendito, digo eu, mas bendito machado que faz calar essa ladainha.
VELHO: ( alheio ao que se passa) Gostaria de um chá, por favor...
VELHA: ( Olhando com desdem o par) Pois não, sirva-se, a água está quente...
CARRASCO: ( erguendo a mulher) Levanta!! Anda, morra com dignidade!! Quer chear do outro lado com fama de covarde!?
MULHER: ( Continua a rezar, quase choramingando)
VELHO: 1820...
VELHA: Não, não, nasci em 35,1935.
VELHO: Minha cabeça...
VELHA: Qualquer dia esquece de quem é...
CARRASCO: Olha lá fora! Anda ( força a mulher a olhar) Viu? O frio está chegando cada vez mais rápido.
MULHER:( em forma de reza) Acho que o inverno está demorado...
CARRASCO:( puxando a mulher pelos cabelos) Como disse, está chegando cada vez mais rápido!!
VELHA: Acho que casei nesse ano...
CARRASCO: ( para a mulher, soltando a no chão) Gostaria de um chá, por favor...
MULHER: ( Afastando-se do carrasco) Pois não, sirva-se, a água está quente...
( O carrasco fica parado, a mulher senta onde antes estava sentada a velha que toma o seu lugar de joelhos diante do carrasco. O carrasco peaga a velha pelos cabelos e a arrasta, ela coeça a rezar. O velho olha para a mulher e diz:)
VELHO: 1820...
MULHER: Não, não, nasci em 35, 1935
VELHO: Gostaria de um chá?
MULHER:Não, não acho que casei em 1920...
VELHO: não, não... se continuar assim vai esquecer de quem é...
MULHER:Quem?
VELHO: Não me lembro.
( O carrasco volta arrastando a velha que continua a rezar)
CARRASCO: Ave Maria isso, Pai Nosso aquilo... Bendito, bendito, digo eu, mas bendito machado.
VELHA: ( Olhando para a mulher que permanece alheia) 1820...
MULHER: ( levantando) 1820...
CARRASCO: Perdão?
MULHER: Acho que casei naquele ano...
CARRASCO: Não, não, nasci em 35, 1935.
MULHER: claro, não poderia ser tão distante.
VELHO: Por que esses sacos de ossos pesam tanto?
VELHA: Ó Deus, minha cabeça está cada dia pior...
MULHER: Qualquer dia esqueço de quem sou...
CARRASCO: Gostaria de um chá, por favor...
VELHA: (levantando-se) Pois não, sirva-se, a água está quente...
MULHER: 1820, a água está quente...
CARRASCO: Não, não, 35, 1935, nasci nesse ano, o inverno chegou rápido...
VELHA: Minha cabeça está cada vez pior...
( carrasco senta onde estava o velho. A velha volta a se ajoelhar e o velho arrasta pelos cabelos enqunto ela reza. os dois saem dessa forma.)
CARRASCO: gotaria de um chá, por favor...
MULHER: Pois não, sirva-se, a água está quente...
( a cena 1 vai se repetindo com esses dois personagens enquanto a luz vai caindo em resistencia)
FIM
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