Me peguei triste hoje, recebi a noticia de que um amigo querido se foi. Chorei, me culpei por não ter ido visita-lo, por não ter ligado mais vezes, por simplesmente não ter dito: "Gosto de ti pra caramba"... depois me despedi dele ao meu jeito, e mais tarde em conjunto com outros amigos e parentes.
Alguns momentos são divisores nas nossas Águas-vidas. A morte de alguém querido é um deles, perder alguém faz a gente se dar conta de como somos frágeis e efêmeros, e que, apesar de conquistar cada dia mais tecnologias e afins, continuamos sob a tutela das três fiadeiras antigas, as quais, decidirão a hora de cortar o fio das nossas teias-vidas. As vezes sua tesoura pode estar um pouco cega, e vamos aos pouquinhos, outras afiadas, e nos arrancam da terra como uma lufada de vento nos cabelos...
Alguma vez você já parou para observar aquela pequena plantinha que luta para crescer numa pequena fenda no chão de cimento? O trabalho sem descanso das pequenas formigas, as mudaças de cores nas árvores ao longo do ano? Ou as linhas de expressão que vão surgindo no seu próprio rosto a cada dia e que contam a sua história, suas alegrias, suas tristezas... Hoje acrescentei mais uma linha triste ao meu rosto, na verdade, uma linha saudosa...
Por que não podemos ser eternos? Por que tudo tem que acabar um dia? Essas perguntas reverberam nos meus pensamentos, mas seu eco traz algumas respostas, vindas desses mesmos pensamentos: o eterno não muda, é estático, não se adapta...
Somos equilibrio, a vida é feita de luz e sombras, e ambas são necessárias,simbioticamente, para que o novo venha, é preciso existir o vazio, é preciso criar o vácuo... Difícil, na teoria é um pensamento bonito, na prática...
Contudo, olhando em volta, noto que bem perto de mim, duas vidas novinhas em folha estão para chegar... Meu coração fica dividido, um lado bate saudoso, lentamente, saboriando velhas lembranças, o outro bate descompassado, acelerado em ritmo de espera pela nova vida que chega... então sinto dentro de mim a confirmação de que, por mais difícel que seja a despedida, sempre será trazido um novo despertar...as lembranças partilhada com meu amigo estarão lá, guardadas no meu baú de fragmentos que constituem quem sou e que farão o esteio para minha futura relação com aquele que chega.
Podem estar se perguntando o porquê dessas reflexões, eu também, acreditem, mas hoje, resolvi deixar de lado meu pensamento racional e seu ritmo frenético e observar as coisas da natureza com as suas reais cores...
Resolvi apreciar as efemeridades...
(23/12/07)
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